McLanche infeliz

13 ago McLanche infeliz

McLanche infeliz

O consumo de fast food, caracterizada por ser altamente calórica e expor os consumidores a porções excessivas de comida, pode ser um dos grandes responsáveis pelo aumento do sobrepeso e obesidade no mundo. Existem evidências suficientes para gerar recomendações de saúde pública a fim de limitar o consumo de fast food e facilitar o acesso dos indivíduos a opções mais saudáveis de comida.

Um estudo publicado no British Journal of Nutrition, que avaliou os hábitos alimentares de 1491 homens e 1563 mulheres, verificou que 10,1% dos indivíduos consumiam fast food pelo menos uma vez por mês. O consumo de fast food acima de uma vez por semana esteve associado com maior risco de ter uma dieta de baixa qualidade e quanto maior a frequência de consumo, maior era o risco de obesidade.

Quando pensamos em fast food, a primeira imagem que temos em mente é a logomarca da rede internacional McDonald’s. Fundada em abril de 1955, em Illinois, nos Estados Unidos, estima-se que venda cerca de 190 hambúrgueres por segundo no mundo e que uma nova loja seja inaugurada a cada dez horas. A empresa tem sido alvo de diversas críticas ao longo dos anos, especialmente pela prática de venda de alimentos com brinquedos, no conjunto conhecido com McLanche Feliz.

Em 2011, a Fundação Procon de São Paulo multou a rede em R$ 3,192 milhões por essa prática e uma nova lei entrou em vigor em São Francisco, impedindo que restaurantes e fast foods forneçam brinquedos em suas refeições caso a refeição não atenda os requisitos de possuir menos de 600 calorias, incluir frutas (meia xícara) e legumes (3/4 de xícara), ter menos de 35% do total de calorias provenientes de gordura, menos de 640 miligramas de sódio e menos de 0,5 miligramas de gorduras trans.

Um projeto da artista plástica e fotógrafa novaiorquina Sally Davies vem acompanhado desde 10 de abril de 2010, em fotografias diárias, o processo de decomposição de um McLanche Feliz, no ambiente natural de uma casa. Mesmo hoje, o sanduíche e as batatinhas continuam com a mesma aparência, não mostrando sinais de alteração.

Apenas o pão do hambúrguer ressecou, se partindo em alguns pedaços. Em entrevista à agência espanhola de notícias EFE, em abril deste ano, a fotógrafa declarou “Eu demoro a acreditar que se passaram dois anos desde o dia em que o comprei. Eu pareço dois anos mais velha, mas para o hambúrguer o tempo não passa”.

Sally Davies se pergunta que qualidades nutricionais pode ter “um alimento que não apodrece nem se corrompe com a passagem do tempo. Você pode conferir as fotos do Happy Meal Project aqui.

Outro duro golpe recebido pela rede foi o documentário Super Size Me, em 2004, onde o cineasta americano Morgan Spurlock passou 30 dias se alimentando exclusivamente no McDonald’s (café da manhã, almoço e jantar, chegando a consumir 5000 kcal diárias) e foi monitorado por exames clínicos e acompanhado por um médico. Antes do experimento, o cineasta mantinha uma dieta variada, era saudável e possuía índice de massa corporal adequado, com 1,88 metro de altura e 84,1 quilos.

No final dos 30 dias, havia engordado 11,1 quilos, seu índice de massa corporal se elevara de 23,2 para 27 (caracterizando sobrepeso), sofreu problemas como mudanças de humor (começo de depressão) e disfunção sexual, além de danos ao fígado. O cineasta precisou de 14 meses para perder o peso que havia ganhado.

Para fazer reduzir a ingestão calórica e melhorar a qualidade da dieta, é importante conhecer o valor calórico dos alimentos, bem como sua composição, e reduzir as visitas a restaurantes de fast food. Além disso, os restaurantes devem disponibilizar as informações nutricionais do seu cardápio a fim de possibilitar a realização do automonitoramento da dieta.

Um programa de intervenções elaborado por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos e aplicado nas lanchonetes do próprio hospital, melhorou de maneira significativa a qualidade da alimentação dos funcionários do estabelecimento, através de medidas simples como reposicionar os alimentos nas prateleiras e rotular os itens com cores diferentes.

Os itens mais saudáveis da lanchonete do hospital, como frutas, legumes e carnes magras, foram rotulados com uma etiqueta verde; os menos nutritivos, com uma etiqueta amarela; e alimentos com pouco ou nenhum valor nutricional, com uma etiqueta vermelha. Três meses depois, mantendo as etiquetas, os autores do estudo alteraram a posição dos itens nas prateleiras, deixando os produtos mais saudáveis ao nível dos olhos dos consumidores e os menos nutritivos, em prateleiras mais baixas ou mais altas. Garrafas de água foram colocadas perto de onde eram servidas comidas quentes.

Segundo os pesquisadores, antes das intervenções, os 4.600 funcionários do hospital, de maneira geral, consumiam maiores quantidades de alimentos da categoria “vermelha” do que a da categoria “verde”. Ao final dos testes, porém, eles passaram a consumir “muito mais alimentos e bebidas saudáveis do que os menos nutritivos”, de acordo com o artigo. Douglas Levy, coordenador do trabalho, conclui que “essas medidas, que são simples e baratas, já poderiam ser implementadas em outros estabelecimentos e até em máquinas de venda automática para a melhora dos hábitos alimentares de todos indivíduos”.

E você, ainda vai continuar se rendendo aos impulsos dos fast foods? Deixe um comentário contando o que achou dessa postagem e lembre-se: Bem-estar é uma questão de FEH – Foco, Equilíbrio e Harmonia!

Nathalie Gonzalez

Nathalie Gonzalez é Educadora Física e certificada internacionalmente em Wellness & Health Coaching

Fontes:

Association of fast food consumption with energy intake, diet quality, body mass index and the risk of obesity in a representative Mediterranean population.

Fast food consumption and increased caloric intake: a systematic review of a trajectory towards weight gain and obesity risk.

Fast Food Consumption of U.S. Adults: Impact on Energy and Nutrient Intakes and Overweight Status

Happy Meal Project

Medidas simples em hospital americano melhoram alimentação de funcionários

A 2-phase labeling and choice architecture intervention to improve healthy food and beverage choices.

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